08/07/2010 08:19h
E fico a imaginar no que leva uma criança, armazem de tanto futuro, a se perder na encruzilhada entre o bem e o mal, preferindo seguir a estrada larga das vantagens fáceis, que sendo fáceis demais, nem compensam porque são quase sempre ilicitas.
Vantagem fácil no começo. Um pequeno descuido de alguem logo abre a possibilidade para o descuidista. Depois, começa o aprendizado que descamba, enfim, no aprimoramento que garante a vaga no espaço cativo da marginalidade.
Quando se diz que o fulano é um marginal está se dizendo que ele optou por estar sempre à margem. O que significa definir à margem da ordem legal, não estando nem aí para os principios éticos, nem aí para os valores morais.
Os colegas de escola, na infancia, de Fernandinho Beira Mar dizem que ele era um garoto bem comportado e muito inteligente. Da sua turma saiu inclusive um oficial da aeronautica.
Mas o Fernandinho, que se destacava porque era sagaz, direcionou sua vocação de líder para a transgressão, para a criminalidade.
Dizer que só vai para a marginalidade o pobre de estudos não vale porque muitos criminosos, dos que foram afinal pegos pela polícia, tornando-se reféns da lei, tinham curso superior.
A cronica policial das duas ultimas décadas do ultimo seculo muito se ocupou de um cirurgião plastico, famoso no Rio de Janeiro porque namorava coroas ricas, mas eu conheci uma jornalista que nem era coroa, a qual largou tudo, emprego e paixoes, por causa dele.
O Marcola, lendário lider do Comando Vermelho, que comanda da prisão as ações do crime organizado, é uma mente brilhante, dizem os psicologos que o estudaram.
Geralmente essas pessoas se tornam profissionais do crime porque, sem os freios morais e as amarras éticas, vão achando tudo muito mais fácil.
A impunidade causada pela ineficiencia das engrenagens legais do poder público , e também pela tolerancia da sociedade que até os absorvem, vão fazendo com que cresçam no medo e na arrogancia que impoem e pelo medo ampliam os seus dominios.
Ainda bem que nem todos ousam incursionar pelo territorio da politica, onde muitos já pontificam.
Ricos, poderosos e famosos se impõem graças à tolerancia da sociedade que não os rejeita de forma ostensiva e definitiva.
Chego a temer pelo futuro do País quando vejo essa promiscuidade entre pivetes e a rapaziada que pensa no bem, que sonha em ter chances de poder contribuir em favor do bem.
A pivetada de hoje em dia já nem é mais aquela que simulando que fazia do trabalho dificil o seu ganha pão e que na constatação do Chico - no sinal fechado vendia chicletes...
O problema maior é quando faz a ligação direta. E nem sabe que a esperteza quando é demais vira bicho e engole o esperto.