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Questionamentos em respostas aos estudantes

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04/07/2018 07:42h

Outro dia, transeunte pela via pública, fui interrogado por um grupo, de estudantes do ensino médio, que me questionou sobre os conceitos: Cultura Popular e Cultura de Massa. Sem me acercar de conceitos padrões, então, fui estudar em pesquisa e, aí, eis o quê eu pude entender para transmitir àquele grupo.

Chama-se cultura de massa toda cultura produzida para a população em geral - a despeito de heterogeneidades sociais, étnicas, etárias, sexuais ou psicológicas - e veiculada pelos meios de comunicação de massa. Cultura de massa é toda manifestação cultural produzida para o conjunto das camadas mais numerosas da população; o povo, o grande público. Como conseqüência das tecnologias de comunicação surgidas no século XX, e das circunstâncias configuradas na mesma época, a cultura de massa desenvolveu-se a ponto de ofuscar os outros tipos de cultura anteriores e alternativos a ela.

Antes de haver cinema, rádio e TV, falava-se em cultura popular, em oposição à cultura erudita das classes aristocráticas; em cultura nacional, componente da identidade de um povo; em cultura, conjunto historicamente definido de valores estéticos e morais; e num número tal de culturas que, juntas e interagindo, formavam identidades diferenciadas das populações. A chegada da cultura de massa, porém, acaba submetendo as demais "culturas" a um projeto comum e homogêneo - ou pelo menos pretende essa submissão. Por ser produto de uma indústria de porte internacional (e, mais tarde, global), a cultura elaborada pelos vários veículos então surgentes esteve sempre ligada intrinsecamente ao poder econômico do capital industrial e financeiro.

A massificação cultural, para melhor servir esse capital, requereu a repressão às demais formas de cultura - de forma que os valores apreciados passassem a ser apenas os compartilhados pela massa. A cultura popular, produzida fora de contextos institucionalizados ou mercantis, teve de ser um dos objetos dessa repressão imperiosa. Justamente por ser anterior, o popular era também alternativo à cultura de massa, que por sua vez pressupunha - originalmente - ser hegemônica como condição essencial de existência. O que a indústria cultural percebeu mais tarde (e Adorno constatou, pessimista), é que ela possuía a capacidade de absorver em si os antagonismos e propostas críticas, em vez de combatê-lo. Desta forma, sim, a cultura de massa alcançaria a hegemonia: elevando ao seu próprio nível de difusão e exaustão qualquer manifestação cultural, e assim tornando-a efemêra e desvalorizada. A "censura", que antes era externa ao processo de produção dos bens culturais, passa agora a estar no berço dessa produção.

A cultura popular, em vez de ser recriminada por ser "de mau gosto" ou "de baixa qualidade", é hoje deixada de lado quando usado o argumento mercadológico do "isto não vende mais" - depois de ser repetida até exaurir-se de qualquer significado ideológico ou político. No contexto da indústria cultural - da qual a mídia é o maior porta-voz - são totalmente distintos e independentes os conceitos de "popular" e "popularizado", já que o grau de difusão de um bem cultural não depende mais de sua classe de origem para ser aceito por outra. A grande alteração da cultura de massa foi transformar todos em consumidores que, dentro da lógica iluminista, são iguais e livres para consumir os produtos que desejarem. Dessa forma, pode haver o "popular" (i.e., produto de expressão genuína da cultura popular) que não seja popularizado ("que não venda bem", na indústria cultural) e o "popularizado" que não seja popular (vende bem, mas é de origem elitista)...

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