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Sebastião Nery

Um grande morto

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03/09/2010 09:10h

Eram três amigos: Ruy Barbosa, Joaquim Nabuco, Rodolfo Dantas. Em 1878, os liberais, afastados desde 1868, voltaram ao governo com José Antonio Saraiva, baiano de Santo Amaro da Purificação, conterrâneo de Caetano Veloso, que já havia sido presidente do Piauí (transferiu a capital de Oeiras para Teresina), de Alagoas e de São Paulo.

Ruy Barbosa foi eleito deputado provincial da Bahia e logo depois, em 1879, deputado-geral. Chegava à Câmara aos 30 anos, para a mesma cadeira que fora do pai. Com ele, no seu Partido Liberal, "os novos" Rodolfo Dantas, Joaquim Nabuco, José Mariano, Afonso Pena. E "os antigos" Saldanha Marinho, José Bonifácio, Silveira Martins, Martinho Campos. Todos com a grande bandeira da "Reforma", a eleição direta.

Martinho Campos ensinava aos "novos" "a maneira de vencer":

- Ser amigo do presidente da Câmara. Atacar os adversários, mas sem esquecer a possibilidade de futuras reconciliações, pois a política dá muita volta. Permanecer no recinto e não nos corredores do parlamento, mantendo-se sempre em atitudes corretas. Praticar algum ato de energia e repelir a primeira agressão, pois evita outra.

RUY

Em 9 de janeiro de 1881, afinal, depois de dez anos, no governo de Saraiva, o Partido Liberal aprovava "A Reforma" - a eleição direta, cujo projeto, a pedido de Saraiva, foi escrito por Ruy:

"Restituir ao povo o governo de si mesmo".

Dissolvida a Câmara para as "primeiras eleições livres" do país, apesar de os liberais ganharem, foram derrotados o barão Homem de Melo, Pedro Luiz e Joaquim Nabuco. No segundo distrito de Salvador, em sua circunscrição, Ruy se elegeu pelo pau do canto: 444 votos contra 424.

Seu amigo, o baiano Rodolfo Dantas, também se elegeu e aos 27 anos se tornava ministro do Império, o mais jovem ministro da história do país. Também o mineiro Afonso Pena foi para o ministério com menos de 30 anos. Ruy apresentou seu primeiro grande projeto individual:

"A Reforma do Ensino Secundário e Superior".

RODOLFO DANTAS

Ruy tinha 35 anos, era deputado, escrevia no "Jornal do Comercio", com os pseudônimos de "Lincoln" e "Grey". Cai o Império, a Bahia manda Ruy, que pregara a República, para o Senado. Em 9 de abril de 1891, seu amigo Rodolfo Dantas, monarquista, funda o Jornal do Brasil e Joaquim Nabuco, também monarquista, assume a chefia da redação.

Pedro II morre em Paris em 5 de dezembro de 1891, no hotel Bedford, próximo à Madelaine, e uma placa, lá até hoje, o relembra. O Jornal do Brasil dedicou-lhe uma edição especial:

"O Grande Morto".

Na noite de 16 de dezembro, a redação do "Jornal do Brasil" foi invadida por uma multidão histérica, que esbravejava: "Mata! Mata Nabuco"! Rodolfo Dantas e Joaquim Nabuco "venderam" o jornal.

NABUCO

Era um artifício. Nabuco continuou escrevendo com o pseudônimo de "Axel". Em maio de 1893, Rui Barbosa assumia a direção do jornal.

1. "Pregava a defesa do regime republicano, associada, porém, ao combate à degeneração do regime promovida pela ditadura de Floriano Peixoto. A intenção de Rui, ao assumir o jornal, era combater a ditadura de Floriano, através da valorização da Constituição."

2. "O jornal alterou profundamente suas características, provocando um impacto na opinião pública. Da linguagem mansa, quase humilde, doutrinária, passou a violento, agressivo e contundente, pelos artigos de Ruy e dos colaboradores. O próprio noticiário era inflamado, servindo para alimentar o combate a Floriano Peixoto."

FLORIANO

3. "A 31 de agosto de 1893, a petição de habeas corpus em favor do almirante Wandenkolk, apresentada por Ruy Barbosa ao Supremo Tribunal, foi reproduzida no jornal, ocupando toda a primeira página. Essa publicação irritou ainda mais Floriano, que intimou Ruy Barbosa a deixar o jornal. Ruy não obedeceu e continuou a escrever até a eclosão da Revolta da Armada, em 6 de setembro quando Floriano ordenou sua prisão, vivo ou morto. Ruy conseguiu fugir,deixando o jornal com Joaquim Lúcio de Melo."

4. "A Revolta da Armada, encabeçada por Custódio de Melo contra Floriano, prosseguiu cada vez mais acesa. Foi decretado o estado de sítio, suspensas as garantias individuais e a liberdade de imprensa. Os jornais não divulgavam qualquer notícia sobre o movimento. O Jornal do Brasil era o único que se atrevia a noticiar em detalhes na coluna "O dia de ontem"."

5. "Floriano ordenou que a direção do jornal fosse intimada a suspender o noticiário sobre a revolta. A negativa de Joaquim Lúcio resultou na invasão militar do jornal e seu fechamento." (FGV-CPDOC)

TANURE

Um ano e um mês depois, o JB ressuscitou pelas mãos de Fernando e Candido Mendes de Almeida. Em 1919, o Conde Ernesto Pereira Carneiro assumiu o jornal. Vieram os Brito. E veio o baiano Nelson Tanure. Terça-feira, 31 de agosto, o "Jornal do Brasil" morreu. Um grande morto.

Um baiano o fundou, outro baiano o enterrou. Mais uma vez ficou provado que jornal é coisa de jornalista e não de empresário.

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