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Fábio Kerouac

Um poeta caxiense em Hamburgo

Bituca não vem mais!


Hoje é 12 de junho e este era um dia que eu estava esperando com muita ansiedade há mais de dois meses, pois Bituca viria por aí, mas ele não vem mais! Eu até vou estar de folga, pois troquei o meu dia de folga, que foi nessa segunda-feira, para me preparar para a vinda de Bituca, que não vem mais para Hamburgo. Ele vai estar em Zurique, em Amsterdam, Madrid, Lisboa, Porto, Berlim e Paris, mas não vai estar em Hamburgo, como estava previsto a Clube da Esquina Tour.

 

A notícia de que Bituca não viria mais para Hamburgo veio primeiro por email sob o título de "Absage des Milton Nascimento Konserts" (cancelamento do concerto de Milton Nascimento). Isso mesmo, Bituca é Milton Nascimento, que para tristeza geral da nação rubro e negra não vai pisar em terras hamburguesas! A má notícia chegou no dia 3 de junho e 1 dia depois ela já estava na página do Facebook Brasileiros em Hamburg, ali explicava o motivo: aufgrund des enttäuschenden vorverkaufs abzusagen (cancelado devida à decepcionante venda antecipada). E emendava: Os ingressos já comprados serão reembolsados pelo vendedor correspondente. Eu e minha esposa, que já tínhamos comprado o ingresso há quase dois meses, o trocamos pelo concerto da pianista de jazz japonesa Hiromi, que vem para a cidade hanseática de Hamburgo no dia 12 de novembro. Ela vai estar na Elbphilarmonie, onde já tocaram o Trabalhistas no ano passado e a Trinca de Ases (Gil, Gal e Nando Reis) um ano antes. Milton cantaria na Leiszhalle Hamburg, uma casa de show na qual eu vi Mercedes Sosa, que foi amiga de Bituca. A Elbfilarmonie e Leiszhalle são do mesmo grupo.


A Leiszhalle Hamburg, antiga Musikhalle, fica na Praça Johannes Brahms e a 7 minutos de caminhada desde a minha porta. A saber: Brahms nasceu em Hamburgo! Infelizmente ele não viveu o suficiente para tocar e dirigir ali suas obras, já que ele morreu em 1897 e a casa de concertos só foi aberta em 1908. A casa, que é quase exclusivamente para apresentações de música erudita (alguns insistem em dizer erroneamente "música clássica"!) costuma abrir suas portas para gente do naipe de Steve Hackett, ex-Genesis, Wynton Marsallis, a cantora portuguesa Mariza e Mercedes Sosa (in memorian), que vi ali no ano de 2008 e que cantou, se não me engano, 3 músicas do amigo Milton Nascimento, o Bituca, que não vem mais pra Hamburgo, onde moram mais de 6 mil brasileiros e que não vão levantar o traseiro do sofá para ocupar os 2025 lugares disponíveis para um show ou concerto numa das casas mais tradicionais da cidade.

 

Eu fiquei triste, desapontado até, com o cancelamento do show de Milton Nascimento, já que não é todos os dias que se tem a chance de ver o Bituca, que vive à margem da mídia, longe de escândalos, dos holofotes e até dos palcos! Será que ele é mineiro? (eh! eh! eh!). Mas uma coisa me conforta: Eu já tive a oportunidade de ver o mineiro no idos anos 80, num show da Anistia Internacional no Parque Antártica. No evento ele dividiu o palco com Tracy Chapman, Sting, Peter Gabriel e Bruce Springsteen. Até então ele estava na grande mídia brasileira, que hoje em dia dá mais espaço para nomes como Anitta, Luan Santana, "não sei quê" Fernanda (ou é "Fernandis"?), entre outros "nomes" da nova música brasileira.

O jeito então é ouvir em casa um velho e magnífico álbum de Milton Nascimento/Lô Borges, o Clube da Esquina, que dá título à sua tournée que não vai mais estar a poucos passos do meu apartamento. Aliás, é o que tem feito a minha esposa nos últimos 3 dias! Ela, que esperava ver o músico mineiro pela primeira vez, está mais triste do que eu e para consolar a sua dor ela cantarola, desde a sua mesa de trabalho, as músicas O Trem Azul, Saídas e Bandeiras n°1, Cravo e Canela, Paisagem na Janela, entre outras músicas, que Milton Nascimento vai cantar em Paris, Berlim, Zurique, Porto, Lisboa, Amsterdã e Lisboa. Menos em Hamburgo!


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